A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA NO EQUILÍBRIO LIPÍDICO CORPORAL

01/07/2010 by: Prof. Waldecir Lima

 

 

Viviane de Fátima Almodóvar
Licenciada e Bacharel em Educação Física
Especialista em Nutrição Esportiva e Qualidade de Vida – FEFISA-Faculdades Integradas

                        As dislipidemias são alterações do metabolismo das lipoproteínas (LP), refletindo em alteração na concentração plasmática das mesmas. As lipoproteínas são partículas compostas por lipídios e proteínas responsáveis pelo transporte de triacilglicerol e colesterol no sangue, tanto de origem exógena quanto os de endógena. São classificadas, de acordo com os limites operacionais definidos arbitrariamente pela sua densidade, durante a ultra-centrifugação ou em sua mobilidade na eletroforese de proteínas, em: VLDL (proteínas de muito baixa densidade), LDL (proteínas de baixa densidade), HDL (proteínas de alta densidade) e outras. Estudos epidemiológicos relatam que altas concentrações de colesterol sérico estão positivamente relacionadas à doença coronariana, ao passo que concentrações elevados de HDL possuem uma ação protetora contra doenças cardiovasculares – DCV (PREMOLI et al, 2000; FERNANDES et al, 2004; CURI et al, 2002).

                        A implementação da prática regular de atividade física, no combate à dislipidemia e obesidade, tem sido alvo de inúmeros estudos e debates científicos em todo o mundo e, atualmente, está sendo recomendada como parte integrante do tratamento destas patologias. Sabe-se que esta discussão surgiu devido à existência de um grande número de pessoas com alterações lipídicas/lipoprotéicas sujeitas, entre outras, as DCV e as conseqüências socioeconômicas causadas no tratamento desta patologia crônico-degenerativa que vem crescendo assustadoramente em todo o mundo, com grandes repercussões financeiras. Desta forma, a busca de alternativas que pudessem ser menos onerosas, coloca atualmente, o exercício físico como um grande aliado no combate a essas doenças (PRADO e DANTAS, 2002).

                        Um estudo feito com 25 homens saudáveis (sem alteração no perfil lipídico), na faixa etária entre 18 e 35 anos, que participaram de um programa de treinamento de força, três vezes por semana, durante oito semanas, demostrou diminuição de 8% nos níveis da LDL-colesterol, seguidos de um aumento de 14% na HDL-colesterol, por meio do aumento da atividade da lípase lipoprotéica e diminuição da lípase hepática. Porém, esse estudo apresentou falhas da adequação de um grupo controle, como também, observações na dieta dos indivíduos (PRADO e DANTAS, 2002).

                        São várias as contribuições da atividade física aguda e crônica para o portador de dislipidemia e obesidade. Entre estas contribuições, destacam-se o possível aumento da taxa metabólica de repouso por um aumento da massa muscular isenta de gordura, o aumento da concentração plasmática de HDL e possível diminuição da concentração plasmática de LDL, o aumento do VO2máx, o aumento da capilarização dos tecidos ativos, o aumento da utilização de ácidos graxos pelo tecido muscular e o aumento da sensibilidade à insulina, pela célula muscular, principalmente quando o exercício é realizado de forma crônica (LAUGHLIN & ROSEGUINI, 2008; DAUSSIN et al, 2007; FERNANDES et al, 2004).

Referências:

CURI R; POMPÉIA A; MIYASAKA CK; PROCOPIO J. Entendendo a Gordura: os ácidos Graxos. Manole, Barueri – SP, p. 138. 2002.

DAUSSIN FN, PONSOT E, DUFOUR SP, et al. Improvement of VO2max by cardiac output and oxygen extraction adaptation during intermittent versus continuous endurance training. Eur J Appl Physiol. 101(3):377-83, 2007.

FERNANDES AC; MELLO MT; TUFIL S; FISBERG, M. Influência do treinamento aeróbio e anaeróbio na massa de gordura corporal de adolescentes obesos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte,. v10, n3 p10-8, 2004.

LAUGHLIN MH, ROSEGUINI B. Mechanisms for exercise training-induced increases in skeletal muscle blood flow capacity: differences with interval sprint training versus aerobic endurance training. J Physiol Pharmacol. 59(7S):71-88, 2008.

PRADO ES; DANTAS EHM. Efeitos dos Exercícios Físicos aeróbios e de força nas lipo-proteínas HDL, LDL e Lipo proteína (a). Arq. Brás. Cardiol, v79 n4, p429 -33, 2002.

PREMOLI ACG; MOURA M; FERRIANI RA; REIS RM. Perfil Liridico em Pacientes Portadoras da Síndrome dos Ovários Policísticos. RBGO, v22, n2, 2000.

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